Cursei a Universidade em São Carlos, uma cidade ótima, porém longe de São Paulo. Então eu morava em República. Claro que tinha suas delícias, mas o comecinho mesmo, essa saída da casa dos pais, como foi dolorido. Sentia-me pequenininha. Como num internato. E lá estava Drummond, pra me dizer: “olha, eu também me sinto assim. Estou detestando tudo. Mas vamos falar baixinho que o padre pode escutar”:
Terceiro dia
Drummond
Mamãe, quero voltar
imediatamente.
Diz a Papai que venha me buscar.
Não fico aqui, Mamãe, é impossível.
(...)
Ai Mamãe, minha Mãe, o travesseiro
eu ensopei de lágrimas ardentes
e se durmo é um sonhar de estar em casa
que a sineta corta ao meio feito pão.
(...)
Mamãe, o dia passou, mas tão comprido
que não acaba nunca de passar.
Um ano à minha frente? Não agüento.
Mas farei o impossível. Me abençoe.
E faz um frio... A caneta está gelada.
Não te mando esta carta
que um padre leria certamente
e me põe de castigo uma semana
(e nem tenho coragem de escrever).
Esta carta é só pensada.
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008
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